SUBVARIANTE DA COVID-19 ACENDE ALERTA EM MINAS DIANTE DE BAIXA COBERTURA VACINAL

Especialista alerta que pessoas que não tomaram a dose de reforço podem precisar ser hospitalizadas; número de afetados pode crescer

Foto: Ilustrativa

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A morte de uma paciente de São Paulo, infectada com a nova subvariante do coronavírus, ômicron BQ1.1, acende o alerta para a circulação da nova cepa em Minas Gerais. Até esta terça-feira (8), nenhum caso relacionado ao genoma havia sido detectado no Estado, conforme a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). No entanto, o aparecimento da subvariante ocorre em um cenário de baixa cobertura vacinal das doses de reforço.

"As pessoas que não tomaram a quarta dose devem se imunizar para evitar quadros mais graves da Covid-19", alertou o infectologista Unaí Tupinambás. O médico projeta um aumento no número de casos de Covid-19 em Belo Horizonte.

Segundo dados da SES-MG, cerca de 42% do público-alvo completou o calendário de imunização com as duas doses de reforço. O índice é semelhante ao público infantil – 42% tomaram as duas doses. Na capital mineira, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o cenário é mais preocupante. Conforme dados da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), 18,9% dos residentes da capital tomaram as duas doses de reforço. Na população com 12 anos ou mais, o percentual é de 37%.

O infectologista Unaí Tupinambás, que integrou o comitê de enfrentamento da pandemia na capital mineira, destacou que o número de casos do coronavírus está aumentando no país. Nas últimas semanas, inclusive, ele ressaltou que várias capitais apresentaram maior positividade para os testes realizados para a doença.

O médico projeta um "aumento importante" no número de casos nos próximos dias, principalmente por causa das aglomerações dos últimos meses (acentuada pelos dois turnos da eleição). Outra causa, na avaliação de Tupinambás, é o fato de a máscara não fazer mais parte do cotidiano das pessoas.

Apesar de Tupinambás afirmar que a infecção causada pela BQ1 não é mais letal, ele se preocupa com o público mais vulnerável e aconselha a imunização, inclusive com as doses de reforço. "São os idosos e as pessoas que não completaram o calendário vacinal, essa infecção pode ser mais complicada, pode levar essas pessoas (mais vulneráveis) para o hospital. Então, o que nos preocupa são as pessoas que não se vacinaram, as que são muito idosas, os imunossuprimidos, pessoas em tratamento de câncer, crianças. Essas pessoas têm que se proteger neste momento", explicou.

Vacinação de crianças

O infectologista pede, ainda, que os pais levem os filhos aos centros de saúde. "Essa doença em crianças pode ser mais complicada. O Brasil, infelizmente, bateu recorde de morte de crianças nessa pandemia. Fazemos esse apelo para que os pais levem os filhos para serem vacinados, já que a vacina é segura, eficaz e protege diante de quadros graves", garantiu.